provérbio oriental: “Se continuares a pensar o que sempre pensaste, continuarás a obter o que sempre obtiveste”.

“É difícil para o professor aceitar que está no mesmo barco que o aluno, nadando nas mesmas águas da dúvida…”

 

“Aprender não é, de modo algum, manejar certezas, mas trabalhar com inteligência as incertezas…”

 

Para o professor é inaceitável ter dúvidas. Ele tem que saber tudo. Muitos têm vergonha em dizer que não sabe. Um aluno questionar algo que o professor não saiba é muito, podemos dizer, vergonhoso. A escola ainda tem uma visão muito cartesiana, racionalista, atrelada à concepção de conhecimento como arma de dominação. Professores têm medo de ser criticado e ser avaliado, pois é ele quem está lá para avaliar, e não ser avaliado. O professor pode aceitar uma crítica, desde que não o atinja. Como diz DEMO (2000, p.50) “…se não sabe escutar uma crítica, também não sabe mais aprender e pensa que já resolveu seus problemas.” Professores não se propõem mais a necessidade de aprender, pois já ensinam. Eles não se atualizam, param no tempo. Hoje temos que acompanhar o ritmo das crianças. A cada ano que passa, elas não são as mesmas de ontem. Elas estão muito mais espertas, que se não nos atualizamos, não conseguimos acompanhar seus ritmos. Um exemplo disso é a tecnologia. As crianças sabem muito mais a se adaptar ao mundo tecnológico que muitos de nós.

 

Sabedoria é: ver as coisas com simplicidade, não azedar as angústias, sublimar as dificuldades, muitas vezes fechar os olhos. O espírito crítico é o modo que temos de olhar fundo, de ser impetuoso na análise, de ver sobretudo o que não se quer ver. DEMO (2000, p.51)

 

Se é sábio reconhecer limites, não é sábio conformar-se. A aprendizagem é parceria da incerteza, da dúvida e do questionamento. A pedagogia dos professores está inserida na modernidade cartesiana das certezas. Nas escolas, os professores não ensinam os alunos a pensar, resolver problemas, e sim, aplicam receitas. Ficamos apenas com a solução recebida pronta. O aluno não aprende a criar, a argumentar, a duvidar, mas engolir certezas no contexto da reprodução funcionalista. Logo, só resolvemos problemas e nada fazemos de inteligente. Aprendizagem é coerente com sua própria lógica. Inteligência está na reconstrução constante. Aprender indica vivamente a dinâmica da realidade complexa, a finitude das soluções e incompletude do conhecimento. Hoje fazer uma aula reflexiva, levaria um professor a ser demitido. Precisamos errar para saber pensar. Demo (2000, p.50) diz: “Aprende-se muito a partir dos desacertos, sobretudo porque nos damos conta de nossa fabilidade.” É difícil aceitar que saber pensar é profundamente saber errar. 

Published in: on maio 22, 2013 at 11:51 pm  Deixe um comentário  

O Ato de Conhecer na Perspectiva Psicopedagogica

“O modelo que considera o sujeito e objeto do conhecimento como coisas dadas e não construídas, embora complementar, se contrapõe à visão construtivismo em que só a ação espontânea do sujeito ou nele desencadeada tem sentido”.

A área da educação nem sempre é cercada somente por sucessos e aprovações. Muitas vezes, no decorrer do ensino, nos deparamos com problemas que deixam os alunos paralisados diante do processo de aprendizagem, assim são rotulados pela própria família, professores e colegas.

É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem há algum tempo.

As dificuldades podem vir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado.

Para levar o sujeito a aprendizagem, devemos reconhecer a bagagem que eles trazem. Ao nascer, o sujeito já começa o seu processo de aprendizagem. Damos a criança, ainda pequenas, ensinamentos do dia-a-dia. Estamos a todo momento estimulando nossa criança e introduzindo-a a sociedade e ao maravilhoso mundo da aprendizagem.

Nesse primeiro contato com a aprendizagem, levamos nossa criança a construir a sua própria aprendizagem, sempre estimulando. Na escola, é preciso partir do que o sujeito já sabe, levando em consideração tudo o que traz consigo. Não podemos generalizar minha sala de aula, igualando todos. Pois cada sujeito tem sua individualidade e traz consigo algo diferente. Precisamos estar atentos para atender a necessidade de cada um. Somente com uma análise cautelosa de cada indivíduo, podemos diagnosticar e ir aos poucos sanando as dificuldades de aprendizagem.

O papel do professor se restringe em observar o aluno e auxiliar o seu processo de aprendizagem, tornando as aulas mais motivadas e dinâmicas, não rotulando, mas dando-lhe a oportunidade de descobrir suas potencialidades. Professores, pais e colegas têm costume de rotular e já dar um diagnostico, sendo que teria que ter um parecer de um especialista. Isso atrapalha no desenvolvimento do aluno, pois o mesmo, fazem acreditar que tem problemas e o faz aceitar que não pode aprender.

Sara Pain (p. 16) diz:

“Os pedagogos, diante do sujeito que está crescendo, que está em desenvolvimento, têm a necessidade de se apoiar numa teoria capaz de dar conta da forma integrada de todos os seus aspectos”.

Se for levado em consideração roda sua bagagem e introduzir o conhecimento do aluno e o seu cotidiano em nossas aulas, conseguiremos fazer desse sujeito, um ser capaz de construir a sua aprendizagem com mais segurança.

O sujeito interage com o objeto, assim como o objeto interage com o sujeito, na qual tanto sujeito como objeto atuam um sobre o outro. É uma relação mutua. A ideia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob influencia do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada. O conhecimento vai se construindo com a história da humanidade, e a partir dessa ideia vem a noção de construção. “A criança domina a realidade e é sujeito dessa realidade. O conhecimento sempre implica um sujeito capaz de conhecer”. PAIN (p. 16)

Referencia Bibliográfica

PAIN, S. – Subjetividade e Objetividade – Relações Entre Desejo e Conhecimento. São Paulo: Curso ministrado no CEVEC Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz.

Published in: on maio 9, 2013 at 4:30 pm  Deixe um comentário  

Voltando ao blog.

Há alguns anos fiz esse blog, junto com uma amiga de faculdade. Fiz exatamente por ser parte de uma avaliação de uma matéria que eu tinha com o professor Jarbas. A matéria era Tecnologia de Ensino. Não tinha interesse e mto menos em continuar com esse blog. Agora vem a pergunta, pq vc está escrevendo e continuando???

Voltando alguns anos atrás, eu estava fazendo o curso de Pedagogia, mas não atuava na área. Trabalhava numa corretora de câmbio e não tinha a menor idéia do que escrever, pois não tinha experiência. E pq fiz Pedagogia? Fiz, pois sabia que no fundo era o que eu realmente queria. Pensei em prestar Adm. em Com. Exterior, mas não me via continuar trabalhando num escritório. Não nego que de certa forma sinto um pouco de saudades, mas acredito mais pela amizade que eu fiz. Um dia uma ex-professora me chamou para trabalhar. Comecei finalmente a trabalhar na área em que me formei. Iniciei como auxiliar de classe numa escola de Educação Infantil. Peguei um amor tão grande pelos alunos e vi que eu acertei o curso que escolhi como carreira.

Uma coisa eu falo para quem quer seguir essa profissão. Não adianta gostar, tem que amar. Pois consome vc tanto fisicamente, como psicologicamente. Mas é um desgaste que, pelo menos pra mim, tem mtas recompensas. Meu namorado mesmo fala que eu mudei. Vivia doente, estressada e já estava trabalhando com má vontade na corretora. Hj ele diz que naum importa a hora que eu acorde, sempre estou disposta e que eu tenho um brilho no olhar. Renunciei o salário que eu tinha pra trabalhar nessa área. Mas pensei comigo mesma, se eu não começar, do que adiantaria ter feito o curso de Pedagogia? Só para ter diploma? Sei que teria que começar de baixo. Posso dizer que não me arrependo. Hoje sou professora do maternal. Dou aula, faço semanários e tudo mais. Não faz muito tempo que estou nessa área, mas a cada dia que passa me encanto mais e mais por essa profissão. E a melhor coisa que tem, é os alunos te darem tanto carinho e aquela admiração por sua pessoa. Vc ver seu aluno crescer e evoluir tanto intelectualmente, como pessoa.

Como vc se sente trabalhando nessa área? Conte sua experiência.

Published in: on março 2, 2010 at 12:06 am  Comments (2)  

Será que isso é certo?

Num dos estágios que fui fazer numa escola me deparei com uma situação um tanto complicada. Com esse negócio de inclusão, vemos que muitos professores não estão preparados para receber alunos com algum tipo de “problema”. A situação é essa:

 Uma professora de 1ª série tem uma aluna com problemas mentais. Ela já estava com 8 anos. Era uma aluna grande perto dos outros alunos. Ela tinha problemas de reardamento mental. Apesar de ter 8 anos, ela encontrava dificuldades para resolver os exercícios. Conversei com a professora sobre a menina. Ela teve muitas dificuldades, pois ela não parava quieta, e para conseguir a confiança da menina teve que trabalhar muito duro. Depois que conquistou, a menina não conseguia mais soltar a professora. Enquanto a professora passava a matéria na lousa, a menina ficava agarrada na professora. Até explicar que ela tinha que ficar sentada e mostrar a ela o comportamento de seus coleguinhas, custou muito.

Agora pergunto, como pode haver inclusão na escola, sendo que os professores não estão preparados? A inclusão, causa a exclusão. Vi a menina um pouco isolada, pois as outras tinham um certo medo de brincar com ela. A professora passava exercícios para a classe, e passava um outro separado para ela. Será que isso é certo?

Published in: on agosto 31, 2007 at 12:51 am  Comments (2)  

O Professor, sua formação

Impossível falar em qualidade de ensino, sem falar da formação do professor, questões que estão intimamente ligadas.

         A formação teórica e prática do professor, poderá contribuir para melhorar a qualidade do ensino, visto que, são as transformações sociais é que irão gerar transformações no ensino.

         Sendo assim, este artigo se ocupará de explanar sobre a relação existente entre a formação e a prática do professor.

2. A Formação e a Prática

Há algumas décadas, acreditava-se que, quando terminada a graduação, o profissional estaria apto para atuar na sua área o resto da vida. Hoje a realidade é diferente, principalmente para o profissional docente. Este deve estar consciente de que sua formação é permanente, e é integrada no seu dia-a-dia nas escolas

O professor não deve se abster de estudar, o prazer pelo estudo e a leitura deve ser evidente, senão não irá conseguir passar esse gosto para seus alunos“O professor que não aprende com prazer não ensinará com prazer. “ Snyders. (1990)

São grandes os desafios que o profissional docente enfrenta, mas manter-se atualizado e desenvolver práticas pedagógicas eficientes, são os principais.

Nóvoa (2002, p. 23) diz que: “O aprender contínuo é essencial se concentra em dois pilares: a própria pessoa, como agente, e a escola, como lugar de crescimento profissional permanente.” Para esse estudioso português, a formação continuada se dá de maneira coletiva e depende da experiência e da reflexão como instrumentos contínuos de análise.

3. A relação sócio-interacionista

A teoria do desenvolvimento intelectual de Vygotsky, sustenta que todo conhecimento é construído socialmente, no âmbito das relações humanas. Essa teoria, tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa teoria considerada, histórico-social.

         O conhecimento que permite o desenvolvimento mental se dá na relação com os outros. Nessa perspectiva o professor constrói sua formação, fortalece e enriquece seu aprendizado. Por isso é importante ver a pessoa do professor e valorizar o saber de sua experiência.

         Para Nóvoa (1997, p.26): “A troca de experiências e a partilha de saberes consolidam espaços de formação mútua, nos quais cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente, o papel de formador e de formando.”

         O trabalho em equipe e o trabalho interdisciplinar se revelam importantes. Quando as decisões são tomadas em conjunto, desfavorece, de certa forma, a resistência às mudanças e todos passam a ser responsáveis para o sucesso da aprendizagem na escola.

         O trabalho interdisciplinar evita que os professores conduzam seus trabalhos isoladamente, em diferentes direções, pois a produção de práticas educativas eficazes, surge de uma reflexão da experiência pessoal partilhada entre os colegas.

         O sucesso profissional do professor, o espaço ideal para seu crescimento, sua formação continuada, pode ser também seu local de trabalho.

4.  O Professor como Prático-Reflexivo

            Estudos apontam que existe a necessidade de que o professor seja capaz de refletir sobre sua prática e direcioná-la segundo a realidade em que atua, voltada aos interesses e às necessidades dos alunos.

Nesse sentido, Freire, (1996, p.43) afirma que: “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática.”

         Para entendermos melhor esse aspecto, devemos recorrer a Schön.

         Donald Schön, foi idealizador do conceito de Professor Prático-Reflexivo, percebeu que em várias profissões, não apenas na prática docente, existem situações conflitantes, desafiantes, que a aplicação de técnicas convencionais, simplesmente não resolvem problemas.

         Não se trata aqui de abandonar a utilização da técnica na prática docente, mas haverá momentos em que o professor estará em situações conflitantes e ele não terá como guiar-se somente por critérios técnicos pré-estabelecidos.

         Para Nóvoa (1997, p.27):

“ As situações conflitantes que os professores são obrigados a enfrentar (e resolver) apresentam características únicas, exigindo portanto características únicas: o profissional competente possui capacidades de autodesenvolvimento reflexivo (…) A lógica da racionalidade técnica opõe-se sempre ao desenvolvimento de uma práxis reflexiva.”

            Os bons profissionais lançam mão de uma série de estratégias não planejadas, cheias de criatividade, para resolver problemas no dia-a-dia.

         Schön identifica nos bons profissionais uma combinação de ciência, técnica e arte. É esta dinâmica que possibilita o professor agir em contextos instáveis como o da sala de aula. O processo é essencialmente meta cognitivo, onde o professor dialoga com a realidade que lhe fala, em reflexão permanente.

         Ora, para maior mobilização do conceito de reflexão na formação de professores é necessário criar condições de trabalho em equipe entre os professores. Sendo assim, isso sugere que a escola deve criar espaço para esse crescimento.

         Nesse sentido, Schön (1997, p. 87) nos diz que:

(…) Nessa perspectiva o desenvolvimento de uma prática reflexiva eficaz tem que integrar o contexto institucional. O professor tem de se tornar um navegador atendo à burocracia. E os responsáveis escolares que queiram encorajar os professores a tornarem-se profissionais reflexivos devem criar espaços de liberdade tranqüila onde a reflexão seja possível. Estes são os dois lados da questão – aprender a ouvir os alunos e aprender a fazer da escola um lugar no qual seja possível ouvir os alunos – devem ser olhados como inseparáveis.”

A proposta prático-reflexiva, propõe-se a levar em conta esta série de variáveis do processo didático, seja aproveitando, seja buscando um processo de metacognição, onde o professor perceba os efeitos de sua atuação na aprendizagem de seus alunos.

5.  Formação e Valorização

            A real valorização do magistério precisa ter três alicerces sólidos: boa formação inicial, boa formação continuada e boas condições de trabalho, salário e carreira.

         A Universidade ocupa um papel essencial, mas não o único, para a formação do professor. Ás universidades cabe o papel de oferecer o potencial físico, humano e pedagógico para a formação acontecer no melhor nível de qualidade.

         Não é raro encontrarmos profissionais que responsabilizam a instituição pelo desajuste entre as informações recebidas e sua aplicabilidade. A formação só será completa quando esses profissionais se auto produzirem. Nóvoa (S/D) diz: “Os professores têm de se assumir como produtores da sua profissão.”

         O desenvolvimento profissional corresponde ao curso superior somado ao conhecimento acumulado ao longo da vida. Uma boa graduação é necessária, mas não basta, é essencial atualizar-se sempre, isso remete a necessidade da formação continuada no processo da atuação profissional, ou seja, há a necessidade da construção do saber, no processo de atuação profissional.

         A valorização e melhor remuneração que o profissional docente almeja, depende em boa parte de formação e atuação profissional.

Published in: on junho 4, 2007 at 12:14 am  Comments (40)  

A formação continuada de professores no cotidiano da escola fundamental

O texto discute a formação continuada de professores no cotidiano da escola fundamental, especificando o papel do diretor nesse processo. O autor também procura contextualizar a questão da formação do educador em serviço, no panorama mais amplo da democratização do ensino.

A questão da competência docente é abordada como mediação importante no processo de ensino e aprendizagem, evidenciando o descompasso entre a formação do profissional e as exigências do mundo moderno.

Esta realidade, segundo o autor, abre um espaço para algo mais amplo, que seria uma Política para a Formação do Educador em Serviço, traduzida em programas e ações diversificados, atendendo aos anseios dos educadores escolares.

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_12_p025-034_c.pdf

Published in: on maio 25, 2007 at 1:18 am  Deixe um comentário  

Formação de professores numa escola aprendiz

Devemos substituir o “eu e minha classe” por uma afirmativa consistente de “nós e nossa escola”. Com essa idéia na cabeça, a professora Monica Gather Thurler, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Genebra, na Suíça, desenvolveu suas idéias sobre a formação contínua de professores num seminário promovido pela Pueri Domus Escolas Associadas, em conjunto com a Artmed Editora, que reuniu cerca de 700 pessoas no Hotel Intercontinental, em São Paulo, nos dias 10 e 11 de agosto, e contou também com a participação de Philippe Perrenoud, educador e pesquisador da mesma universidade suíça.

Thurler trabalha em pesquisas sobre a profissionalização de professores e no desenvolvimento da qualidade de sistemas de ensino. É autora do livro Inovar no interior da escola, lançamento recente da Artmed Editora. Em sua palestra, disse que os novos objetivos de aprendizagem levam em conta o desenvolvimento de competências: “A experiência mostra que os alunos só aprendem quando enfrentam situações didáticas em que são obrigados a ultrapassar obstáculos e a construir novos saberes, consolidando suas aquisições”. Para desenvolver estratégias didáticas nesta lógica, os professores precisam conhecer os objetivos de aprendizagem e os planos de estudo, além da diversidade de situações problema que devem construir entre si e que podem adaptar conforme a necessidade e circunstância. Segundo a pesquisadora, seria desejável também dispor de um bom conhecimento dos processos em que os alunos constroem seus saberes.

Thurler considera que a gestão dos percursos de formação por ciclos, em que todos os sistemas estão envolvidos, obriga a assumir coletivamente a responsabilidade pela progressão dos alunos. Para que isso dê certo, os professores deveriam questionar e reinventar constantemente não só as praticas pedagógicas, mas também as relações profissionais e a organização do trabalho em sua escola. “É preciso criar novos processos mais flexíveis e moduláveis que acabe com atribuição fixa das classes (de aula) para uma só pessoa; que acabe com o eu e minha classe, com a divisão tradicional do trabalho, a fim de trabalhar melhor e colocar em sinergia as competências existentes, ou seja, é preciso falar juntos e nossos alunos”, explicou.

O professores, no entendimento de Thurler, acreditam que a avaliação e o controle precedem o ensino ao invés de utilizá-los para gerenciar melhor a progressão dos alunos. “Os novos dispositivos propostos pela introdução dos ciclos praticamente proíbem a repetência e nos obrigam a desenvolver uma pedagogia diferenciada, que leve em conta as necessidades de todos os alunos, obrigando os professores a valorizarem mais os processos que os produtos da aprendizagem”, frisou a pesquisadora, dizendo que há novas modalidade de controle e de feedback.

Sobre a relação entre os profissionais de educação, Thurler explicou que “é muito difícil os professores receberem feedback dos colegas”. Para ela, isso somente acontece quando o professor é inexperiente. E completou: “Em outras profissões humanistas, isso acontece com freqüência, para ajudar colegas a identificarem alguns pontos que não foram atingidos ou pontos positivos para valorizar o trabalho”. Como desdobramento dessa noção, a obrigação em prestar contas sobre o trabalho realizado também é uma exigência. “A maioria dos professores não têm certeza se seu ensino produz realmente a aprendizagem desejada e confiam cegamente na sua capacidade de programação didática e na validade de seu sistema de avaliação; ou se fecham em uma atitude mais resignada e até mesmo cínica diante da dificuldade de fazer com que seus esforços correspondam a efeitos reais e palpáveis”, salientou.

Outro tema trabalhado pela professora da Universidade de Genebra foi o novo paradigma da formação, que substitui o modelo de especialistas pelo modelo distributivo, em que os professores trabalham de forma conjunta para elaborar juntos novos saberes e novas competências profissionais. Em outras palavras, o objetivo é montar uma rede de competências existentes e, com isso, identificar competências pela reflexão constante sobre a coerência de novas práticas.

Segundo seus estudos, podemos imaginar um conjunto de quatro tópicos complementares para combinarmos os procedimentos de formação que já existem aos novos enfoques. São eles: sensibilização aos objetivos e desafios das reformas; desenvolvimento de competências didáticas e pedagógicas; e iniciação à exploração colaborativa e cooperação continua em uma organização aprendiz. Em outras palavras, uma tentativa de construir no seio dos estabelecimentos escolares projetos nos quais os professores vão se profissionalizar de forma interativa, questionando suas práticas e também identificando objetivos comuns.

Origem do texto: http://www.educabrasil.com.br/eb/exe/texto.asp?id=429

Published in: on maio 11, 2007 at 1:25 am  Comments (1)  

Formação ontinuada: passado e futuro

Enquanto no passado – há 30 anos, por exemplo -, um recém-formado na universidade era considerado um profissional pronto e tinha praticamente vaga garantida nas áreas de trabalho, hoje o cenário é bem diferente. Se não houver atualização constante – seja por cursos em universidades, instituições ou outras entidades de ensino ou mesmo a partir processos autodidatas -, corre-se o risco de ficar defasado e não ser mais considerado “adequado” pelo o mercado de trabalho.

Este processo de mudança não ocorreu de uma hora para outra. As exigências do mercado e a adaptação das universidades começaram lentamente na década de 1980 e explodiram nos anos 1990. “Em um certo sentido, podemos dizer que isso aconteceu na medida em que a Internet se tornou um movimento mais forte”, afirma o pró-reitor de Graduação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Mauro Braga. A Internet, segundo ele, acelerou a acumulação e a produção de conhecimento, fazendo com que a capacidade dos profissionais fosse muito mais exigida.

Outros dois fatores que colaboraram com esse quadro foram o aumento da escolarização e a mudança no perfil do mundo do trabalho. A medida em que há mais pessoas se formando no Ensino Médio, há uma demanda maior pelo Ensino Superior e, conseqüentemente, pela educação continuada. A sociedade vive na era da informação, na qual os trabalhos que usavam a força física para serem feitos são substituídos por tarefas que exigem informação técnica e abstrata, ou seja, que exigem a capacidade de construir o próprio conhecimento.

Para suprir a necessidade do mercado, as instituições de ensino superior criaram diversos cursos de pós-graduação, especializações ou extensões, seja para quem pretende seguir carreira acadêmica, ou para quem busca aprimorar conhecimentos a serem empregados em uma determinada área de atuação profissional. Para a gerente de divisão da área de Recrutamento e Seleção de Executivos da Gelre, Vera Modolo, o interesse das universidades não é apenas acadêmico, é comercial.

O diretor de Educação Continuada e a Distância da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Luciano Sathler, discorda de Vera, alegando que a universidade apenas acompanha as mudanças no mundo. Mesmo assim, critica o trabalho executado pelas instituições nacionais: “A universidade está atrasada, sem conseguir acompanhar o ritmo de formação que o mundo está precisando. Precisa estar atenta para não ficar atrás no processo de transformação da sociedade”.

Overqualified

Ter excesso de qualificações, quando a pessoa acaba sendo taxada de overqualified, pode restringir as oportunidades do profissional dentro de um campo de trabalho restrito, já que, no médio prazo, ele pode se desmotivar com a falta de desafios. “Lógico que se houver um plano de carreira ou se a empresa tiver condições de olhar para o futuro, pode usar isso como uma etapa e desencadear todo um processo de desenvolvimento”, ressalta a gerente da Gelre.

O mercado valoriza cursos de pós-graduação, mas não é o principal diferencial dentro do processo seletivo. Vera explica que há três fatores básicos que pesam na hora da escolha: “O perfil pessoal em relação ao que é exigido; a formação e suas complementações; e toda a experiência dentro da área visada”.

Cada vez mais, o mercado requer iniciativa, criatividade, capacidade de trabalhar em grupo e exige que o profissional seja sintonizado com o mundo e os interesses da população. “Isso tudo deve acontecer junto ao contínuo domínio do conhecimento, cada vez mais diversificado e capaz de interferir na vida das pessoas”, declara o pró-reitor da UFMG.

Futuro

Se hoje a concorrência é tão grande e exige-se cada vez mais especialização por parte dos profissionais, como será o cenário no futuro? Para Braga, a mudança pela qual passamos será maximizada para a próxima geração. E o processo atinge desde a educação básica até a educação continuada. “As pessoas vão ter que se atualizar continuamente e, portanto, as universidades terão que criar projetos de formação para esse público”.

Não basta mais apenas o(s) diploma(s) na parede. A experiência pessoal e profissional é a grande diferença entre a concorrência no mercado de trabalho. Além disso, Sathler indica um elemento que é distintivo para próxima geração: “O grande diferencial do profissional do futuro, em termos de educação continuada, é aquele que sabe transformar informação em conhecimento”, aposta.

Deixar os estudos de lado significa parar no tempo e, como conseqüência, perder espaço no acirrado mundo do trabalho. “Os jovens têm que compreender que hoje não existe profissional pronto. Ele se faz ao longo de todo seu exercício de carreira, toda sua vida útil. Ele tem que estar preparado para jamais deixar de estudar”, finaliza Braga.

Published in: on maio 11, 2007 at 12:27 am  Comments (1)  

Encontrando reflexões sobre Formação Continuada em Selma Garrido

Lendo algumas reflexões de Selma Garrido encontramos um de seus artigos “Para uma re-significação da didática – Ciências da Educação, Pedagogia e Didática (uma revisão conceitual e uma síntese provisória)”

A seguir, ressaltamos alguns aspectos importantes com o intuito de lapidar os conceitos já existentes sobre Formação Continuada. 

Para ampliar a conciência sobre sua prática…

O professor não deve se acomodar. Sempre inovar suas idéias, buscar novos conhecimentos se adequar a realidade dos alunos e iniciar um trabalho em cima disso, proporcionando uma prática diferente e construtiva para ambas as partes.

Professor Reflexivo

Ele avalia e pensa na suas aulas e se questiona.

Qualidade de ensino depende de uma formação adequada dos professores

Se o professor fica parado no tempo dando aquela mesma aula há 20 anos, como pode ter qualidade?

Ele tem que procurar o novo, o que interessa proporcionando um ensino com qualidade.

Melhorar o resultado de ensino

Que depende muito do professor e das suas aulas

Avanço da Pesquisa Qualitativa

A qualidade de ensino sobre porque o professor, pesquisador vai atrás, procura lê e levar esses conhecimentos para sala de aula.

Tudo isso são nessecidades postas pela inovação em todos os aspectos estigando o professor a crescer.

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Published in: on abril 20, 2007 at 12:36 am  Comments (4)  

Estréia do Blog

baloes1.jpgSeja bem vindo!

Este blog é formado um grupo com 3 integrantes: Cibele Inagaki e Deusa Elis Vendramini de Freitas.

Estaremos utilizando este espaço para melhorar algumas reflexões sobre a formação continuada (inclusive as já existentes) , trazendo informações sobre o que é e o acesso a formação continuada. Espero que possamos satisfazer as curiosidades e as espectativas de vocês.

Carinhosamente,

Cibele e Deusa

Published in: on abril 13, 2007 at 1:02 am  Comments (1)  
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