provérbio oriental: “Se continuares a pensar o que sempre pensaste, continuarás a obter o que sempre obtiveste”.

“É difícil para o professor aceitar que está no mesmo barco que o aluno, nadando nas mesmas águas da dúvida…”

 

“Aprender não é, de modo algum, manejar certezas, mas trabalhar com inteligência as incertezas…”

 

Para o professor é inaceitável ter dúvidas. Ele tem que saber tudo. Muitos têm vergonha em dizer que não sabe. Um aluno questionar algo que o professor não saiba é muito, podemos dizer, vergonhoso. A escola ainda tem uma visão muito cartesiana, racionalista, atrelada à concepção de conhecimento como arma de dominação. Professores têm medo de ser criticado e ser avaliado, pois é ele quem está lá para avaliar, e não ser avaliado. O professor pode aceitar uma crítica, desde que não o atinja. Como diz DEMO (2000, p.50) “…se não sabe escutar uma crítica, também não sabe mais aprender e pensa que já resolveu seus problemas.” Professores não se propõem mais a necessidade de aprender, pois já ensinam. Eles não se atualizam, param no tempo. Hoje temos que acompanhar o ritmo das crianças. A cada ano que passa, elas não são as mesmas de ontem. Elas estão muito mais espertas, que se não nos atualizamos, não conseguimos acompanhar seus ritmos. Um exemplo disso é a tecnologia. As crianças sabem muito mais a se adaptar ao mundo tecnológico que muitos de nós.

 

Sabedoria é: ver as coisas com simplicidade, não azedar as angústias, sublimar as dificuldades, muitas vezes fechar os olhos. O espírito crítico é o modo que temos de olhar fundo, de ser impetuoso na análise, de ver sobretudo o que não se quer ver. DEMO (2000, p.51)

 

Se é sábio reconhecer limites, não é sábio conformar-se. A aprendizagem é parceria da incerteza, da dúvida e do questionamento. A pedagogia dos professores está inserida na modernidade cartesiana das certezas. Nas escolas, os professores não ensinam os alunos a pensar, resolver problemas, e sim, aplicam receitas. Ficamos apenas com a solução recebida pronta. O aluno não aprende a criar, a argumentar, a duvidar, mas engolir certezas no contexto da reprodução funcionalista. Logo, só resolvemos problemas e nada fazemos de inteligente. Aprendizagem é coerente com sua própria lógica. Inteligência está na reconstrução constante. Aprender indica vivamente a dinâmica da realidade complexa, a finitude das soluções e incompletude do conhecimento. Hoje fazer uma aula reflexiva, levaria um professor a ser demitido. Precisamos errar para saber pensar. Demo (2000, p.50) diz: “Aprende-se muito a partir dos desacertos, sobretudo porque nos damos conta de nossa fabilidade.” É difícil aceitar que saber pensar é profundamente saber errar. 

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Published in: on maio 22, 2013 at 11:51 pm  Deixe um comentário  

O Ato de Conhecer na Perspectiva Psicopedagogica

“O modelo que considera o sujeito e objeto do conhecimento como coisas dadas e não construídas, embora complementar, se contrapõe à visão construtivismo em que só a ação espontânea do sujeito ou nele desencadeada tem sentido”.

A área da educação nem sempre é cercada somente por sucessos e aprovações. Muitas vezes, no decorrer do ensino, nos deparamos com problemas que deixam os alunos paralisados diante do processo de aprendizagem, assim são rotulados pela própria família, professores e colegas.

É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem há algum tempo.

As dificuldades podem vir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado.

Para levar o sujeito a aprendizagem, devemos reconhecer a bagagem que eles trazem. Ao nascer, o sujeito já começa o seu processo de aprendizagem. Damos a criança, ainda pequenas, ensinamentos do dia-a-dia. Estamos a todo momento estimulando nossa criança e introduzindo-a a sociedade e ao maravilhoso mundo da aprendizagem.

Nesse primeiro contato com a aprendizagem, levamos nossa criança a construir a sua própria aprendizagem, sempre estimulando. Na escola, é preciso partir do que o sujeito já sabe, levando em consideração tudo o que traz consigo. Não podemos generalizar minha sala de aula, igualando todos. Pois cada sujeito tem sua individualidade e traz consigo algo diferente. Precisamos estar atentos para atender a necessidade de cada um. Somente com uma análise cautelosa de cada indivíduo, podemos diagnosticar e ir aos poucos sanando as dificuldades de aprendizagem.

O papel do professor se restringe em observar o aluno e auxiliar o seu processo de aprendizagem, tornando as aulas mais motivadas e dinâmicas, não rotulando, mas dando-lhe a oportunidade de descobrir suas potencialidades. Professores, pais e colegas têm costume de rotular e já dar um diagnostico, sendo que teria que ter um parecer de um especialista. Isso atrapalha no desenvolvimento do aluno, pois o mesmo, fazem acreditar que tem problemas e o faz aceitar que não pode aprender.

Sara Pain (p. 16) diz:

“Os pedagogos, diante do sujeito que está crescendo, que está em desenvolvimento, têm a necessidade de se apoiar numa teoria capaz de dar conta da forma integrada de todos os seus aspectos”.

Se for levado em consideração roda sua bagagem e introduzir o conhecimento do aluno e o seu cotidiano em nossas aulas, conseguiremos fazer desse sujeito, um ser capaz de construir a sua aprendizagem com mais segurança.

O sujeito interage com o objeto, assim como o objeto interage com o sujeito, na qual tanto sujeito como objeto atuam um sobre o outro. É uma relação mutua. A ideia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob influencia do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada. O conhecimento vai se construindo com a história da humanidade, e a partir dessa ideia vem a noção de construção. “A criança domina a realidade e é sujeito dessa realidade. O conhecimento sempre implica um sujeito capaz de conhecer”. PAIN (p. 16)

Referencia Bibliográfica

PAIN, S. – Subjetividade e Objetividade – Relações Entre Desejo e Conhecimento. São Paulo: Curso ministrado no CEVEC Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz.

Published in: on maio 9, 2013 at 4:30 pm  Deixe um comentário